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"O fim do Direito é a paz; o meio de atingi-lo, a luta. O Direito não é uma simples idéia, é força viva. Por isso a justiça sustenta, em uma das mãos, a balança, com que pesa o Direito, enquanto na outra segura a espada, por meio da qual se defende. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é a impotência do Direito. Uma completa a outra. O verdadeiro Estado de Direito só pode existir quando a justiça bradir a espada com a mesma habilidade com que manipula a balança."

-- Rudolf Von Ihering

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domingo, 18 de janeiro de 2015

Dezenas de ‘Curumins’ são executados todos os dias no Brasil e ninguém lamenta.



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Não vou nem comentar a questão sentimental que envolveu e envolve os familiares e os amigos pessoais de Marcos Archer, o ‘Curumin’ como era conhecido no meio do voo livre, pois o que sempre pesará mais do que qualquer coisa para eles é o sentimento que nutriam e nutrem por Archer. ‘Curumin’, experiente piloto de asa delta sabia perfeitamente, pois era mais do que de conhecimento público em especial no meio de surfistas, bodyboarders e praticantes de voo livre que as leis e a repressão contra as drogas na Indonésia era extremamente severa podendo levar em caso de tráfico à pena de morte.
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Archer apostou, se desse certo teria faturado muito dinheiro, pois a cocaína na Indonésia, justamente por causa da repressão, tem um valor cerca de dez vezes maior do que custa nos EUA e quase cem vezes mais do valor no Brasil. ‘Deu ruim…’.
SURFING BOARDS
O golpe de se levar drogas ao país dentro de pranchas de surf e de estruturas de asas delta já tinha sido detectado pela polícia indonésia e não foram poucos os atletas, inclusive outro
brasileiro, presos traficando desta forma. 
Ninguém está falando de algum analfabeto,de algum dependente químico, de algum esfomeado desesperado, de algum desesperançado que por estes motivos, condições e circunstâncias teria sido levado ao tráfico de drogas.
Estamos falando de brasileiros que detinham conhecimento cultural bastante razoável e de graus de educação formal ou não que lhes permitia avaliar os atos que cometiam e refletir sobre suas consequencias. Não foi a Indonésia que errou ao executar um brasileiro. Foi um brasileiro que movido pela vontade de ganhar dinheiro rápido e facilmente optou por arriscar a própria vida nesta empreitada maldita. E pela opção errada perdeu a vida.
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Já aqui dentro de nossas fronteiras, muitas vezes pertinho de nós, outros ‘Curumins’ são mortos, em sua maioria negros, em sua maioria jovens, em sua maioria analfabetos, em sua maioria esmagadora pobres. São vítimas de penas de mortes decretadas pelos tribunais do tráfico, pelo tribunal do PCC, pelos tribunais das milícias, pelos tribunais dos grupos de extermínio e pelos tribunais dos maus policiais. Estes ‘Curumins’ brasileirinhos jamais tiveram uma atenção real de Ministros ou da Presidente da República. sempre foram tratados como um problema macro a ser resolvido em longas e intermináveis discussões no Congresso ou acena-se com soluções mágicas sempre através da criação de um ‘Comissão’ ( meu pai já dizia, quando o governo não quer resolver alguma coisa cria uma comissão…).
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Nunca houve o envolvimento pessoal da Presidente para saber ‘Onde Está Carelli?’ ( funcionário da Fiocruz – na foto -desaparecido, segundo se sabe, em uma operação policial desastrada), nunca houve uma ação ministerial para saber quem matou ‘Os Onze de Acari’ ( onze jovens que forma mortos em um sítio na Baixada depois de irem de Acari para passarem um final de semana).
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Na ‘Chacina de Vigário Geral’ até hoje há um policial militar, ex policial, que foi preso, investigado, julgado e inocentado e nunca foi readmitido na PM ou sequer indenizado, pois não foi reconhecido como um dos autores da chacina em nenhuma das instâncias. Sua vida e sua família atravessaram tragédias que ninguém em Brasília quis ou quer saber. Perguntem ao Sergio Broges, o Borjão, que ele conta esta história em detalhes… .
Fazer as gestões protocolares pela extradição e cumprimento de uma pena no Brasil é até compreensível pela questão humanitária relacionada à família pelo resultado final que seria e foi a execução por fuzilamento de Archer.

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Agora, tornar isto uma questão nacional é querer fazer média com sabe-se lá quem. Marcos Archer foi um traficante de cocaína, de grandes quantidades de cocaína, que levariam, caso ele tivesse tido êxito em entrar com a droga na Indonésia a desgraça e a morte à milhares de famílias indonésias, pois treze quilos de cocaína pura se transformam com facilidade em sessenta quilos de cocaína de excelente qualidade. E ponto.
O Brasil não atendeu a Itália no caso da extradição de Cesare Battisti, que havia, segundo a justiça italiana, extremamente transparente e democrática, matado um comerciante e deixou seu filho paraplégico (foto) em um assalto, ou ‘expropriação’, na Itália quando integrava as Brigadas Vermelhas.O Brasil não deporta estrangeiros condenados por tráfico de drogas até que eles cumpram suas penas, ainda que em seus países as condições carcerárias brasileiras sejam consideradas assemelhadas à decretação de uma pena de morte.
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Presidente Dilma, Srs. Ministros…vamos olhar os nossos ‘Curumins’. ‘Curumins’ como o menino de apenas onze anos que por falta de tutela do estado, tendo em vista que ele já havia sido apreendido portando material e armas do tráfico de drogas da comunidade em que vivia, entregue ao pai e voltado ao tráfico, onde inclusive, segundo a Polícia Civil, recebeu a alcunha de ‘Bebê Monstro’, foi levado, pois um menino de onze anos não tem condições mentais e de maturidade de optar por nada, a morrer pela mesma coisa que levou o ‘Curumin’ Archer à morte. O desejo do dinheiro rápido e fácil.

Enquanto o Brasil não colocar em prática programas como o da educação integral real, aliada à formação profissional técnica; não implantar programas de educação com relação às drogas que não sejam histericamente irreais ou até mesmo mentirosos e por isso carecem de credibilidade entre os jovens, estamos fadados a assistir todos os dias mais e mais ‘Curumins’ pobres, negros, analfabetos e dependentes de drogas ilegais serem executados sob nossa visão complacente e omissa.