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"O fim do Direito é a paz; o meio de atingi-lo, a luta. O Direito não é uma simples idéia, é força viva. Por isso a justiça sustenta, em uma das mãos, a balança, com que pesa o Direito, enquanto na outra segura a espada, por meio da qual se defende. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é a impotência do Direito. Uma completa a outra. O verdadeiro Estado de Direito só pode existir quando a justiça bradir a espada com a mesma habilidade com que manipula a balança."

-- Rudolf Von Ihering

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Nootrópicos: o que eles são e o que eles não são.


Usei meu cérebro como cobaia para 7 nootrópicos






"O ser humano não vai esperar calmamente por milhões de anos até que a evolução o ofereça um cérebro melhor". Essa citação foi feita pelo químico romeno Corneliu Giurgea, que criou em 1964 o piracetam - o primeiro medicamento nootrópico sintético.






Até há pouco mais de um ano, eu também não sabia o que eram nootrópicos. Hoje, já não vivo sem eles. Essa palavra é desmembrada em outras duas: "noos" é mente, em grego e "trópico" vem de "trépein", que também em grego significa algo como atração por.






Os nootrópicos são, então, drogas (e aqui considero desde medicamentos sintéticos a extratos vegetais) que tem afinidade pelo cérebro. Só que mais que isso: para uma droga ser nootrópica, ela deve seguir alguns critérios.






Segundo o doutor Giurgea, o nootrópico deve melhorar a memória e o aprendizado, mas sem ter efeitos colaterais significativos ou causar dependência. Isso significa que as smart drugs como Ritalina, Venvanse e Stavigile ficam de fora da lista dos nootrópicos.



Os nootrópicos podem me deixar mais inteligente?







Parece bom demais para ser verdade? Não é irônico demais pensar que, usando a inteligência que a própria evolução nos deu, podemos ficar ainda mais inteligentes (e, com isso, driblar nossas limitações biológicas)? Será mesmo que os nootrópicos nos oferecem um "cérebro melhor", como dizia o químico que inventou o piracetam?



Frente a ambientes acadêmicos cada vez mais competitivos - com vestibulares e concursos - além de jornadas de trabalho extenuantes, o uso de nootrópicos vem se popularizando. Ainda assim, há pouca informação a respeito deles na Internet, em português.






Eu tenho uma vasta experiência com muitas substâncias nootrópicas (as mais acessíveis no Brasil, pelo menos). Por isso, decidi dividir o que senti com cada uma delas. Eu conto essas experiências em muitos detalhes no meu livro "Turbine Seu Cérebro" (clique aqui para conferir mais).

Nesse livro, além das experiências, eu também discuto o que a ciência fala sobre 16 drogas nootrópicas - como elas funcionam e quais parâmetros intelectuais (memória, concentração, raciocínio...) elas melhoram.






Não posso deixar de lembrar que minhas experiências não devem ser parâmetro algum quanto a eficácia e tolerância dos nootrópicos. Cada pessoa poderá experimentar resultados diferentes - e o uso dos nootrópicos deve ser orientado por um médico.

São medicamentos com suas devidas contraindicações e efeitos colaterais. O artigo tem fins de informação e entretenimento. Sua saúde é muito importante: apenas utilize medicamentos com a prescrição e acompanhamento médico.






1. Piracetam (Nootropil) + colina (lecitina de soja)






O piracetam é capaz de aumentar
a memória, segundo alguns estudos



Esse é uma das combinações mais famosas no mundo dos nootrópicos. O piracetam é o princípio ativo do remédio Nootropil, um tarja vermelha por vezes indicado para o mal de Alzheimer e para "melhorar as capacidades de cognitivas de idosos em declínio intelectual".






Mas como será que o piracetam age num cérebro que está funcionando normalmente? Além de recuperar os cérebro doentes, será que o piracetam pode melhorar os saudáveis? A minha experiência me faz acreditar que sim.






Foi através de tentativa e erro que eu cheguei na dosagem ideal para mim: uma dose de 1,6g de piracetam, duas ou três vezes ao dia, cada dose acompanhando 1200mg de lecitina de soja. Foi assim que passei a experimentar apenas efeitos positivos, mas alguns benefícios só vieram com o tempo.






Além da capacidade visual mais aguçada (as cores pareciam mais vivas), eu percebi que tinha mais facilidade para me expressar. Conversar com outras pessoas se tornou mais agradável - o que pode ser bastante útil para quem tem dificuldade em socializar. Nas redações, foi algo bem perceptível: as palavras pareciam fluir da minha mente direto para a folha de papel e eu conseguia articular melhor as minhas frases.






Alguns benefícios do piracetam parecem ser cumulativos. Foi só com algum tempo que notei que a minha memória parecia melhor. Não percebi grande diferença, talvez porque eu nunca tenha tido problemas com memorização. Ainda assim, não posso dizer que minha capacidade de memorização não melhorou ainda mais, mesmo que sutilmente.






Nunca fiz uso contínuo do piracetam - creio que seja mais vantajoso "ciclá-lo" (utilizar o medicamento de tempos em tempos, em vez de continuamente).

Aqui está a minha experiência completa com o Piracetam.






2. Cafeína + l-teanina






A l-teanina é capaz de aumentar a frequência das ondas alfa no cérebro, o que induz um estado de relaxamento e de atenção







Outra combinação bastante feijão-com-arroz no mundo dos nootrópicos é a de cafeína com l-teanina. Com a ajuda de uma dose de cafeína em torno dos 150 mg, eu consigo eliminar minha fadiga mental e ler páginas e páginas de livros didáticos sem perder o interesse.






O problema da cafeína, porém, é que ela pode me tornar estimulado demais, com efeitos como mãos trêmulas, ansiedade, aumento dos batimentos cardíacos. Em vez de me ajudar a estudar, isso tira o meu foco.






E é aí que entra a l-teanina, um aminoácido encontrado naturalmente no chá verde. Ao usar a l-teanina em doses maiores, como 200mg, ocorre um efeito muito interessante: ela é capaz de "relaxar a mente", me deixar mais calmo, mas sem induzir a sonolência. Pelo contrário: a l-teanina me ajuda a concentrar. Isso pode ser porque a l-teanina estimula um aumento da frequência das ondas alfa no cérebro.






Ocorre que a cafeína e a l-teanina tem grande sinergia - isto é, elas fazem um verdadeiro "trabalho em equipe", produzindo um efeito melhor do que se fossem tomadas isoladamente.






Certa vez, manipulei 200mg de l-teanina com 100mg de cafeína por cápsula. Tive um resultado imediato na hora em que fui estudar. Eu estava atento e interessado, mas era um foco calmo. Cheguei até a comparar esse efeito ao que eu sentia com o Stavigile (só que numa intensidade menor e num tempo de efeito menor ainda).






Apesar da combinação de l-teanina e cafeína ser incrível, eu senti necessidade de aumentar cada vez mais as doses para obter os mesmos efeitos de antes. Provavelmente, fui criando tolerância à cafeína. Passei, então, a usar essa combinação esporadicamente, em vez de usá-la todos os dias. Com isso, não precisei mais aumentar as doses.






3. Sulbutiamina (Arcalion)






A sulbutiamina diminui a fadiga e é capaz de melhorar
a memória



Esse foi um dos melhores nootrópicos que eu já usei. A sulbutiamina é usada para tratar fadiga, mas estudos científicos já mostram que ela também pode aumentar a memória.






A sulbutiamina é uma vitamina B1 vestindo terno e gravata. Explico: enquanto a tiamina ou vitamina B1 (que é fundamental para o bom funcionamento do sistema nervoso) é hidrossolúvel, a sulbutiamina é lipossolúvel. Essa característica faz com que a sulbutiamina consiga chegar ao cérebro com maior facilidade.






Tomar sulbutiamina me trouxe um resultado imediato nos níveis de energia e na capacidade de manter a concentração. Quando eu usava o medicamento, a minha motivação ia a mil, o que era muito bom para os momentos de desânimo. A sulbutiamina aniquilava os sintomas da privação de sono e ainda melhorava o meu humor consideravelmente.






Percebi que usar o Arcalion todos os dias causava tolerância aos efeitos estimulantes e, por isso, eu fazia o uso do remédo apenas quando necessário. Eu ingeria Arcalion em doses de 600 a 800 mg nas vezes em que eu me sentia muito fadigado e sonolento. Eu não notava muitos efeitos com as doses de 200 mg.






Infelizmente, em março deste ano, a companhia farmacêutica Servier suspendeu a produção e a comercialização do Arcalion. O desabastecimento é "temporário", mas, ao ligar para o SAC da Servier, eles dizem que ainda não há previsão para o retorno.






Ainda assim, é possível manipular a sulbutiamina - o que exige uma receita médica e um valor cerca de duas vezes maior do que aquele desembolsado na compra do Arcalion.










Foto: Tanara Hormain



4. Rhodiola Rosea (Fisioton)


O Fisioton é um extrato vegetal capaz de balancear os níveis de neurotransmissores no cerebral. Esta é uma boa opção para combater a fadiga: ao usar o Fisioton, eu sempre sinto uma disposição maior.






Mas não se trata de uma opção barata e ela ainda pode te desapontar. Digo isso porque os efeitos não são dramáticos ou tão notáveis quanto os oferecidos pelos nootrópicos acima. Ao menos comigo, o aumento da disposição sempre foi muito sutil.






Só que eu não costuma usar a Rhodiola Rosea a fim de ficar mais alerta. Eu faço uso porque percebi que ela tem excelentes efeitos na memória - e que eles são cumulativos. Ao usar Rhodiola Rosea por cerca de um mês (um comprimido por dia ao acordar), eu percebi que tinha melhorado a minha capacidade de reter a matéria estudada.















5. Mesilato de codergocrina (Hydergine)






O Hydergine é indicado para atenuar
o declínio intelectual que acomete
idosos



Trata-se de um medicamento comumente indicado para tratar sintomas de deterioração mental associados ao envelhecimento, assim como o piracetam. Inclusive, alguns estudos sugerem que combinar piracetam com Hydergine seja bastante sinérgico (isto é, um medicamento potencializaria o efeito do outro). Há até mesmo um remédio chamado Isketam que combina, em seus princípios ativos, o mesilato de codergocrina e o piracetam.






Eu já ouvi maravilhas a respeito do Hydergine, mas, sinceramente, eu nunca tive efeitos consistentes com ele. Certa vez, usei em combinação com cafeína - e isso me estimulou demais. Meu ritmo cardíaco aumentou muito, ao ponto de me deixar preocupado. Já em outras vezes, o Hydergine fez o oposto: me deixou muito sonolento e letárgico.






O único efeito consistente que eu noto é que as minhas veias parecem saltar com o Hydergine - ocorre uma vasodilatação anormal. Com base nos estudos científicos, eu acredito que a terapia com o Hydergine seja capaz de melhorar, sim, a memória e as capacidades cognitivas a longo prazo. No entanto, eu não usaria novamente o Hydergine por causa do seu preço e dos seus efeitos imediatos imprevisíveis.






6. Vimpocetina (Vicog) x Ginkgo Biloba






O Ginkgo Biloba é um vasodilator. Estudos mostram que o extrato vegetal possui também benefícios neuroprotetores.







Além de melhorar o fluxo sanguíneo em direção ao cérebro, a vimpocetina é capaz de aumentar a dopamina e a noradrenalina (o que levaria ao aumento da atenção e da motivação). A bula também diz que ela é capaz de aumentar a memória.






Porém, não tive bons resultados quando usei a vimpocetina. Um único comprimido tem 5 mg - o que não me faz sentir efeito algum. Doses muito mais altas, porém, como 20 mg me deixaram com dor de cabeça, ansiedade e irritação.






Considero o Ginkgo Biloba um vasodilatador muito mais eficiente para quem busca aumentar a cognição (e, a longo prazo, a memória). Com o Ginkgo, eu sinto uma melhora imediata na capacidade de concentração e experimento maior clareza mental. Além disso, nunca tive os mesmos efeitos adversos, como irritação, que eu tive com o Vicog.






7. 5-HTP






O 5-HTP é divulgado como alternativa natural para "um
humor calmo e relaxado".



Um aspecto que não pode ser negligenciado quando se quer aumentar as capacidades cerebrais é o sono. Dormir é fundamental para consolidar a formação de memórias e recuperar o cérebro. E nada é pior para a concentração e o humor do dia seguinte do que uma noite de sono ruim.






Nas vezes em que acordo sem me sentir revigorado, já sei que o meu dia não será tão produtivo. O que me ajudou a já acordar bem disposto foi o suplemento 5-HTP (5 hidroxi-triptofano). Trata-se de um precursor do neurotransmissor serotonina (por vezes chamado de neurotransmissor da felicidade e do bom humor).






Usei doses de até 500 mg de 5-HTP (muito altas) antes de dormir. Isso me ajudou a pegar no sono com maior facilidade. Também reduziu o número de vezes que eu acordava durante a noite. E o melhor de tudo: o 5-HTP me fez acordar com mais disposição - como se eu realmente tivesse descansado mais durante a noite.

Ocorre que o 5-HTP não funciona bem para todos. Ele é mais indicado para indivíduos com serotonina baixa e dopamina muito alta. Assim, ele corrige essa balança.







Os outros fatores








O uso dos nootrópicos é só uma parte da equação. A prática de exercícios físicos, uma alimentação que supra todas as necessidades do seu corpo e noites de sono adequadas são essenciais para o aumento da memória, da concentração, do humor e dos níveis de energia.






Comprar todos os nootrópicos expostos nessa lista e tomar todos de uma só vez provavelmente não lhe trará o efeito desejado, e irá ser difícil determinar o que exatamente está melhorando suas capacidade cerebral.

Saiba mais!









Se você busca informações mais precisas sobre os diferentes nootrópicos, como combiná-los e sobre os nutrientes necessários para você atingir sua capacidade cognitiva máxima, consulte o meu e-book. O "Turbine Seu Cérebro" (clique aqui para conferir) é um guia que fala tanto da nutrição para o cérebro, quanto de 16 nootrópicos e seus benefícios.

Comece devagar - o acompanhamento médico é fundamental. Busque um médico que tenha bom conhecimento sobre o tema, que é relativamente novo, e compartilhe da mesma filosofia que você. Ele irá te orientar e indicar o que for melhor para você aumentar sua qualidade cognitiva e saúde mental.






http://www.cerebroturbinado.com/2015/07/usei-meu-cerebro-como-cobaia-para-7.html

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